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14 de julho de 2018

Resenha: Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

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Autor: Ray Bradbury
Editora: Editora Globo
216 Páginas

Sinopse: A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.
Fahrenheit 451 é um clássico da ficção científica escrito em 1953 e descreve o cotidiano de uma sociedade que proíbe o acúmulo e manuseio de livros em casa ou bibliotecas, porque eles trazem angústia e medo, ao invés de serem instrumento de diversão e entretenimento. Nesta organização social, os bombeiros não são mais responsáveis por apagar incêndios, mas provocá-los, queimando coleções de obras de pessoas comuns que são denunciadas ao governo. 

Um destes bombeiros é Guy Montag, marido de Mildred, uma mulher que vive tomando muitos remédios e adora assistir à programas de lazer em três telões instalados na casa deles. O homem gosta muito de queimar livros e os acha inúteis, até o dia em que conhece Clarisse McClellan, sua vizinha de dezesseis anos que frequenta o psiquiatra por adorar conversar e fazer perguntas consideradas inoportunas, como questionar se Montag é feliz ou se ele está apaixonado. 
"Dizem que sou antissocial. Não me misturo. É tão estranho. Na verdade, eu sou muito social. Tudo depende do que você entende por social, não é? Social para mim significa conversar com você sobre coisas como esta. - Ela chocalhou algumas castanhas que haviam caído da árvore do jardim da frente. - Ou falar sobre quanto o mundo é estranho. É agradável estar com as pessoas. Mas não vejo o que há de social em juntar um grupo de pessoas e depois não deixá-las falar, você não acha? Uma hora de aula pela tevê, uma hora jogando basquete ou beisebol ou correndo, outra hora transcrevendo história ou pintando quadros e mais esportes, mas, sabe nunca fazemos perguntas: pelo menos a maioria não faz; eles apenas passam as respostas para você, pim, pim, pim, e nós, sentados ali, assistindo a mais quatro horas de filmes educativos. Isso para mim não é nada social." - Págs. 51/52 
A partir daquele dia, Montag passa a se encontrar regularmente com Clarisse e acompanhá-la de volta para casa. Aos poucos, a menina conquista o bombeiro com seu jeito de ser e pensar e, por causa disso, ele começa a questionar o trabalho que realiza como bombeiro e também o papel que exerce na sociedade. 

As dúvidas de Montag se intensificam quando ele comparece à casa de uma senhora para queimar os livros dela e a idosa prefere morrer junto às obras do que se salvar. Naquele momento, antes de deixar o local, o bombeiro esconde no casaco uns dos livros ao invés de incendiá-lo e, a partir dali, começa a pensar e planejar maneiras de driblar o governo totalitário em que vive. 


Fahrenheit 451, Ray Bradbury | Foto: Luiza Lamas
Uma das características que considerei mais interessante na narrativa de Fahrenheit 451 é que a ambientação dela se passa num planeta comum, numa cidade comum e que a história não precisou de grandes aparatos tecnológicos ou mudanças drásticas e mirabolantes para que fosse futurística. A graça da narrativa é perceber que o que mudou foi o comportamento das pessoas, cada vez mais inseridas na dinâmica da sociedade de massa, da indústria cultural e do consumo, uma forma de totalitarismo sutil. 

"Lembre-se, os bombeiros raramente são necessários. O próprio público deixou de ler por decisão própria. Vocês, bombeiros, de vez em quando garantem um circo em volta do qual multidões se juntam para ver a bela chama de prédios incendiados, mas, na verdade, é um espetáculo secundário, e dificilmente necessário para manter a ordem. São muito poucos os que ainda querem ser rebeldes." - Pág. 114/115. 

Há, inclusive, uma passagem no livro que nos mostra que a ambientação da história se passa mais ou menos no nosso presente, pois um personagem comenta: "Desde 1990, já fizemos e vencemos duas guerras atômicas!". Achei assustador perceber como algumas das ações dos personagens se parecem tanto com o que vivemos hoje. Por exemplo, estar sempre conectado. Atualmente, fazemos uso de computadores, celulares e diversos outros dispositivos móveis. Em Fahrenheit 451, quem têm esse papel são a televisão, que fica ligada praticamente 24h (é a que comentei que a esposa de Montag adora assistir) e escutas nos ouvidos, que recriam realidades melhoradas e mais felizes. 
"Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com 'fatos' que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente 'brilhantes' quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento sem sair do lugar. E ficarão felizes, porque fatos dessa ordem não mudam. Não as coloque em terreno movediço, como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. Aí reside a melancolia." - Pág. 86/87. 
Me distanciando um pouco da estrutura, a personagem que mais me cativou foi Clarisse. Acho que o autor a construiu de uma forma muito simples, mas ela influencia os pensamentos e decisões de Guy Montag até o fim. Assim como a menina deixou uma marca no bombeiro, ela também deixa em nós, leitores. Às, vezes, eu queria pegá-la e guardá-la num potinho por ser tão inteligente. 

Também posso acrescentar que a narrativa não é arrastada. O autor nos apresenta o conflito e já se preocupa em resolvê-lo, o que foi um ponto muito positivo para mim (quero dizer que Montag não perde tempo sofrendo por causa da realidade em que vive, mas assim que a descobre, já passa a buscar soluções para transformá-la ou, no mínimo, deixar uma marca). 

Por fim, queria deixar registrado que há uma adaptação da obra para o cinema filmada em 1966 por François Truffaut. Vejam o trailer legendado abaixo:


E também outra adaptação, lançada pela HBO em maio deste ano, estrelada por Michael B. Jordan. Vejam o trailer legendado: 


Eu ainda não assisti nenhuma das duas versões, vocês já? 

Um beijo e foca na leitura!

9 de julho de 2018

Resenha: A Princesa da Lapa, de Danilo Barbosa

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Autor: Danilo Barbosa 
Editora: Universo dos Livros 
304 Páginas 

Sinopse: "Há tempos, entre os postes brilhantes e solitários da Lapa, houve um castelo feito de amores e ilusões perdidas. Nele, entre cortinas e brocados, existiu uma bela mulher, prisioneira de sentimentos perdidos e marcada pelo desejo dos homens. Uma mulher inesquecível, que foi chamada e ovacionada como A Princesa da Lapa."
Jonas é um jovem escritor capaz de escrever as mais belas histórias de amor, mas não de vivenciá-las. Por ter sido abandonado por aquela que considerava a mulher da sua vida, ele não acredita mais em finais felizes. Até que, em uma noite, uma misteriosa senhora o encontra, disposta a lhe contar a sua história... 
A partir do momento em que a fantástica personagem começa a se revelar ao cético criador de histórias, um novo conto de fadas se revela aos olhos dos leitores, mostrando um mundo de paixões vorazes, sensualidade, poderes supremos e a eterna luta do bem contra o mal. Sejam bem-vindos à incrível e instigante história daquela que ficou conhecida para sempre como A Princesa da Lapa. Compre o livro aqui.
Em A Princesa da Lapa, Jonas é um escritor de romances que acabou de levar um fora da namorada. Ele tenta correr atrás dela para entender o motivo de de repente a moça ter desistido dele, mas ela não está nem aí. Ao mesmo tempo, o rapaz está sendo pressionado por seu editor, que deseja que Jonas escreva um novo livro logo. 

Cansado e decidido a esfriar a cabeça, o jovem sai a noite em busca de inspirações, mas está com os pensamentos tão perdidos que se distrai e é atropelado. A dona do carro é Larissa, uma senhora que reconhece o escritor e o leva para casa, porque precisa que alguém conte a história dela. Dada a proposta, Jonas hesita, mas no final, aceita ouvi-la. 

No passado, Larissa era conhecida como R e foi deixada ainda bebê na porta de um bordel do Rio de Janeiro, conhecido como Casa dos Prazeres. No local, era muito bem tratada por Mama Mercedes (que R considerava como mãe) e por todas as prostitutas que faziam dali um local de trabalho. O cabelo loiro, bonito e enorme de R encantava a todas e fazia com que a menina fosse uma inspiração a ser seguida.

Porém, um pouco antes de ter a primeira menstruação, R sofreu um trauma dentro do bordel (que se eu contar aqui será um spoiler) e, com isso, percebeu que todo o carinho que recebia era mentira e apenas um disfarce para tudo o que estava por vir. A partir daquele momento a menina também passou a desacreditar no amor. 

Assim, quando finalmente menstruou, ela mesma se apresentou a Mama Mercedes para saber como seria o trabalho a partir daquele momento. Ali, o cabelo da garota se transformou em vermelho vivo, um ruivo brilhante que encantava a todos os homens e fazia com que a garota fosse extremamente desejada. Ficou decidido então que R seria a garota mais cara da Casa dos Prazeres e teria apenas um cliente por noite. 

Um deles, que R foi conhecer tempos depois de se tornar prostituta, era Lucas, filho de um poderoso Marechal e dono de muito dinheiro. No início, R achou que o garoto seria um simples cliente que logo iria embora, mas o menino era cego e, por isso, não era atingido pelos poderes dos cabelos da mulher. Sendo assim, Lucas passou a ser como um desafio para R e, nessa brincadeira, os dois acabaram se apaixonando, o que se tornou um grande problema para a prostituta, que não deveria se apaixonar. 
"- O maior segredo da Princesa da Lapa, que só as habitantes da Casa dos Prazeres sabem, é que a fonte de tanta paixão e mistério vem dos meus cabelos - eu falei." - Pág. 154.  
A Princesa da Lapa, Danilo Barbosa | Foto: Luiza Lamas
Este foi o meu primeiro contato com Danilo Barbosa, que também escreveu Arma de Vingança pela Universo dos Livros e diversas histórias eróticas. É inegável que o autor tem ótimas referências e muito conhecimento, que faz questão de colocar nas páginas do livro, seja na forma de indicação ou como contexto de uma época ou situação. 

Também gostei bastante de alguns personagens construídos por ele, como o próprio Lucas (que no começo parece ser bem bobo, mas depois se prova ser muito mais inteligente que R) e Kyo, também prostituta e aquela que se torna amiga e protetora de R (Kyo é doce, amigável, sincera e é quem ajuda a menina a se encontrar com Lucas e a mantém longe das garras de Mama Mercedes e o cafetão Brucutu, que bate nas meninas). 

Por outro lado, eu preciso fazer algumas observações sobre a própria R e sobre Jonas, que é quem desencadeia a história principal de A Princesa da Lapa. O drama que ele fez quando percebeu que a namorada não o queria mais foi enoooorme e o primeiro pensamento que ele teve depois de ter levado o fora foi "agora eu preciso sair para pegar várias garotas e provar que sou macho alfa". Na minha cabeça, como leitora, meus pensamentos eram "que cara escroto, quando isso vai passar?".  Já sobre R, a questão é a mesma: o exagero quanto ao fato de que, na opinião dela, o amor não dá certo e é um erro. São parágrafos e parágrafos com argumentos desse tipo e, algumas vezes, fiquei cansada por estar lendo aquilo. 

Acho importante observar que isso que citei no parágrafo acima são características das personagens que não condisseram com o que eu prefiro ou gosto de ler num livro, e não algum problema específico com o autor. 

Isso será abordado aqui, porque, ao longo da leitura, percebi que existem algumas questões chaves na história que Danilo não nos explicou (acho que se eu falasse seria spoiler), o que fez com que o livro tivesse alguns buracos. Quando isso acontece, tenho a impressão de que o autor teve uma boa ideia, mas não capacidade, contexto, pesquisa ou sensibilidade o suficiente para nos explicar porque quis expor aquilo no livro, o que é uma pena e me deixa um pouco incomodada. 

Fora isso, recomendo o livro para quem quer curtir uma história um tanto quanto fora do comum e gosta de passagens calientes que envolvem a trama principal. 


Um beijo e foca na leitura!

4 de julho de 2018

Lançamentos de Julho: Editora Intrínseca

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Olá, pessoal! Como estamos no começo do mês, separei para vocês os lançamentos de Julho da Editora Intrínseca. Confiram: 
Lançamento: 02/07/2018
384 Páginas
Mentes Sombrias 
Alexandra Bracken

Do dia para a noite, crianças começam a morrer de um misterioso mal súbito. Em pouco tempo, a doença se espalha e os que sobrevivem a ela desenvolvem habilidades psíquicas assustadoras.
Uma delas é Ruby. Na manhã do seu décimo aniversário, um acontecimento aterrador faz com que seus pais a tranquem na garagem e chamem a polícia. A menina é então levada para Thurmond, um acampamento que segue as diretrizes brutais do governo vigente.
Seis anos depois, ela se torna uma das jovens mais perigosas de Thurmond, embora tenha que esconder isso a todo custo para a própria segurança. Quando a verdade vem à tona, Ruby desperta o interesse de muitas pessoas e precisa escapar às pressas. Fora dali, ela se alia a fugitivos de outros acampamentos e conhece Liam, que lidera uma fuga em direção ao único refúgio para adolescentes como eles. Por mais que queira fazer amigos e ter uma vida normal, Ruby sabe que isso não vai ser possível, porque nenhum lugar é seguro, e ela não pode confiar em ninguém — nem em si mesma. Compre o livro aqui. 
Lançamento: 09/03/2018
320 Páginas
Variações Enigma
André Aciman

Os sentimentos de Paul, tão intensos na adolescência, continuam a atormentá-lo na vida adulta: no sul da Itália, ainda jovem, quando se apaixonou pelo marceneiro de seus pais; em Nova York, onde acredita estar sendo traído pela namorada e se interessa pelo parceiro de tênis nas quadras do Central Park; em um campus coberto de neve em New England. Não importa onde ou quando, suas relações são caóticas, transitórias e marcadas pela força do desejo.
Variações Enigma explora a impossibilidade de restringir uma pessoa a uma única linha melódica. Dessa forma, André Aciman mapeia os recônditos da paixão e revela a impiedosa e intrincada psique humana. Assim como em Me chame pelo seu nome, sua linguagem delicada, pungente e sincera lança uma luz sensorial sobre as facetas do desejo. Compre o livro aqui.                                                                         .
Lançamento: 25/07/2018
160 Páginas
Uma Casa no Fundo de um Lago
Josh Malerman

James e Amelia têm dezessete anos. Em comum, além da idade, têm o fato de estarem um a fim do outro e de serem tomados pelo nervosismo quando James chama Amelia para sair. Mas tudo parece perfeito para um primeiro encontro: um passeio de canoa pelos lagos, levando um cooler cheio de sanduíches e cervejas.
À medida que se aprofundam na exploração, os dois chegam a um lago escondido e encontram algo impressionante debaixo d’água. Um lugar perigosamente mágico: uma casa de dois andares com tudo que tem direito — móveis, um jardim, uma piscina e uma porta da frente, que está aberta.

Enquanto, fascinados, vasculham o imóvel e tentam passar uma boa impressão para o outro, cresce o medo. Será que um local misterioso como aquele esconde alguém — ou algo — vivo? Uma coisa é certa: depois de mergulhar nos mistérios da casa no fundo do lago, a vida deles jamais voltará a ser a mesma. Compre o livro aqui.
Lançamento: 30/07/2018
288 Páginas
Refúgio no Sábado
Míriam Leitão

Conhecida pelo público principalmente por sua cobertura jornalística de economia e dos bastidores do poder, Míriam Leitão reúne pela primeira vez suas crônicas, nas quais aborda conversas que a marcaram, memórias da infância e momentos do cotidiano. Os textos, publicados inicialmente no blog de seu filho Matheus Leitão, são uma bela oportunidade para os leitores conhecerem melhor o dia a dia de Míriam, suas origens e o processo de formação de uma escritora.

Em suas crônicas, Míriam escreve sobre o que pensa ou sente: conversas com os netos, tristeza, saudade, amizades, música e poesia. Este livro é mais uma prova de que o olhar atento e a escrita elegante da autora a fazem deslizar por diferentes gêneros literários com maestria. Compre o livro aqui.                                                                                         .                                                                                                                     .           
E aí? Contem nos comentários por quais livros vocês se interessaram!  


Um beijo e foca na leitura!

1 de julho de 2018

Resenha: Sherlock Holmes - Casos Extraordinários, de Arthur Conan Doyle

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Autor: Arthur Conan Doyle
Editora: FTD
88 Páginas

Sinopse: "Quatro contos em que Sherlock demonstra seus métodos. Em A face amarela, um homem tem dúvidas sobre o comportamento de sua esposa. O ritual Musgrave envolve um mapa do tesouro e estranhos desaparecimentos. A Liga dos Cabeças-Vermelhas trata de uma curiosa organização, que contratava apenas homens ruivos. O diamante azul começa com um ganso roubado... São histórias condensadas e de fácil leitura, permitindo que o jovem leitor  de hoje acompanhe o método de Holmes e o fascínio desse personagem extraordinário." - Marcia Kupstas. Compre o livro aqui. 
Sherlock Holmes - Casos extraordinários reúne quatro casos solucionados por Sherlock Holmes com ajuda do amigo Dr. Watson: A face amarela, O ritual Musgrave, A Liga dos Cabeças-Vermelhas e O diamante azul. Nesta edição, os contos foram traduzidos e adaptados por Marcia Kupstas. 

A face amarela nos traz um homem que é casado há três anos e se dá muito bem com a mulher, mas ultimamente tem desconfiado das ações dela. A moça anda saindo de madrugada para ir a casa vizinha, que tem um novo inquilino e, apesar das perguntas incessantes do marido sobre o assunto, continua escondendo o fato. 

Em O ritual Musgrave, um dos primeiros casos desvendados por Sherlock, o mordomo da família Musgrave desaparece depois de alguns dias turbulentos na casa e deixa o patrão dele, Reginald, preocupado e desconfiado a ponto de contatar Holmes para resolver e entender o caso. 

Em A Liga dos Cabeças-Vermelhas, Sr. Wilson, homem de cabelos ruivos, procura Holmes para investigar uma organização que só contrata pessoas de cabelo vermelho. Wilson foi convidado a participar dela pelo ajudante da loja em que é dono e conseguiu a vaga, mas a Liga acabou de repente e deixou Sr. Wilson desconfiado das intenções de quem o contratou. 

Por último, em O diamante azul, Sherlock começa as investigações com apenas um ganso e um chapéu velho encontrados por um policial que defendeu um homem na rua (que fugiu e esqueceu os pertences). O detetive começa a traçar toda a personalidade e passos do dono do chapéu apenas observando o objeto e analisando-o. 

Sherlock Holmes - Casos Extraordinários, Arthur Conan Doyle | Foto: Luiza Lamas
Este livro foi meu primeiro contato com o mestre do mistério Sherlock Holmes e com o brilhante amigo dele, Dr. Watson, tão bem desenvolvidos por Arthur Conan Doyle. Antes de ler o livro, eu imaginava que Watson ajudava Holmes nas investigações, mas nem ele é capaz de acompanhar o raciocínio aguçado do detetive. Sendo assim, o papel de Watson passa a ser o de intermediário entre nós, leitores, e Sherlock, além de narrar e escrever as histórias.

Dentre os quatro contos da narrativa, meu preferido foi O diamante azul. Foi o que apresentou mais detalhes e me deu mais vontade de acompanhar os passos da investigação, que me pareceu bastante rica.  Em segundo lugar fico com O ritual Musgrave, que me permitiu descobrir junto com Holmes os segredos da investigação, sem que antes ele já soubesse de tudo. 

Recomendo este livro para quem quer, assim como eu, ter o primeiro contato com Sherlock. Por ser uma obra adaptada, acredito que se tornará mais fácil de entrar nas histórias e se sentir cativada pelos personagens. 

Vocês já leram Sherlock Holmes? E os outros livros do Doyle? Contem nos comentários :)


Um beijo e foca na leitura! 

23 de junho de 2018

Resenha: O Menino da Lista de Schindler, de Leon Leyson, Marilyn J. Harran e Elisabeth B. Leyson

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Autores: Leon Leyson, Marilyn J. Harran e Elisabeth B. Leyson
Editora: Rocco Jovens Leitores
256 Páginas

Sinopse: Um pequeno vilarejo, os irmãos, os amigos, as corridas nos campos, os banhos de rio: essa é a verdadeira história de Leon, a história de um mundo despedaçado pela invasão dos nazistas. Quando em 1939 o exército alemão ocupou a Polônia, Leon tinha apenas dez anos. Logo ele e sua família foram confinados no gueto de Cracóvia junto a milhões de outros judeus. Com um pouco de sorte e muita coragem, o menino conseguiu sobreviver ao inferno e foi contratado para trabalhar na fábrica de Oskar Schindler, o famoso empreendedor que conseguiu salvar mais de mil e duzentos judeus dos campos de concentração. Neste testemunho que ficou por tanto tempo inédito, Leon Leyson nos conta sua extraordinária história, na qual, graças à força de um menino, o impossível se tornou possível. O Menino da Lista de Schindler é um legado de esperança e um chamado para que todos nós nos recordemos daqueles que não tiveram a chance do amanhã. Compre o livro aqui.
O Menino da Lista de Schindler conta a história do menino mais novo salvo por Oskar Schindler, Leon Leyson, no Holocausto. O livro, autobiográfico com uns toques de romance, é uma espécie de linha do tempo que narra a vida dele e da família na Polônia desde antes da ocupação nazista até o momento em que a Alemanha perde a guerra e aos poucos deixa o país. 

Leon é natural de Narewka, uma cidade pequena e rural no leste europeu. Ainda bastante criança, se muda para Cracóvia, graças ao bom emprego do pai na cidade. A família, principalmente a mãe de Leon, fica triste por ter que deixar para trás os outros parentes, como os avós e tios, mas todos entendem que essa é a melhor atitude a ser tomada, já que, com essa oportunidade, o pai, a mãe e os irmãos poderiam ficar juntos de novo. 

O menino se encanta com a cidade grande e com todas as novas aventuras que poderá viver nela. Ele se acostuma de forma muito fácil à nova rotina e rapidamente faz novos amigos, que não se importam com o fato de Leon ser judeu. 
"Por isso, nem mesmo o mais assustador dos contos de fadas poderia ter me preparado para as monstruosidades com as quais eu me depararia poucos anos mais tarde, para todas as vezes em que eu escaparia à morte por um triz ou para o herói disfarçado de monstro que salvaria a minha vida". - Pág. 17.
Conforme o tempo passa, a narrativa nos mostra como o comportamento dos moradores de Cracóvia vai mudando e como a censura afeta os judeus e limita a vida deles na cidade, principalmente após 1939 (ano em que o exército alemão ocupa a Polônia). De forma gradativa, eles são obrigados a sentar no fundo do ônibus, andar do lado da calçada que não seja ocupada por não-judeus, ficam proibidos de ir a escola, as famílias perdem o emprego e etc. É interessante, e ao mesmo tempo triste, acompanhar, nesses momentos, como Leon se sente em cada situação, porque no início, a família dele tinha tudo e, logo depois, nada. 


É no fim de 1939 que passamos a conhecer a forma como Oskar Schindler ajudava os judeus e os mantinha vivos. Ele começa oferecendo ao pai de Leon, Moshe, um emprego na fábrica de esmaltes dele em troca de uma carta que fazia com que a família, que a essa altura já vivia nos guetos, não fosse levada nos carros de gado para os campos de concentração e, em outras palavras, fosse morta. Além disso, de alguma forma, Schindler acompanha a família ao longo de toda a história e a ajuda. 

Oskar era um alemão nazista e, durante o livro todo, principalmente nos momentos em que ele aparecia, eu não conseguia entender qual era o interesse dele em ajudá-los, porque isso simplesmente não entrava na minha cabeça. Por causa disso, fiquei com muita, muita, vontade de ler A Lista de Schindler para entender melhor como foi o processo de "criação" da lista e de como Oskar ia salvar todos. 

Em diversas partes do livro eu queria simplesmente abraçar Leon e tentar dizer ou fazer algo que o confortasse, porque é extremamente triste ler tudo o que ele passou e ter consciência de que aquilo realmente aconteceu (e até de formas piores, como nos campos de concentração de Auschwitz) e não poder fazer nada para mudar. O que senti foi uma sensação de impotência e incredulidade que é difícil de descrever.
"Nossa família falava sobre o futuro ou fazia planos para o caso de a situação piorar? Na verdade, não. Não conseguíamos pensar dois minutos à frente quando toda a nossa energia estava concentrada em chegar ao dia seguinte. Vivíamos sempre o momento, determinados a chegar ilesos ao fim do dia". - Pág. 103.
Outras partes que também me tocaram foram as que Leon relatava sobre a fome que ele e a família sentiam. Acredito que essa seja uma das piores formas de se atingir o ser humano, porque é algo essencial para vida e que todos sentem igual, então é muito desumano e covarde privar alguém de se alimentar. 

Queria destacar aqui também que, além de obter a ajuda de Schindler para sobreviver, Leon contou muito com a ajuda dele mesmo, porque em diversos momentos se arriscou muito, seja indo ver a família escondido ou falando diretamente com soldados alemães. A força, garra e determinação que ele teve são extremamente admiráveis. 

Eu recomendo muito O Menino da Lista de Schindler para todos aqueles que querem ler e conhecer um pouco mais afundo sobre histórias da 2ª Guerra e do Holocausto. Esse tema me atrai muito e apesar de eu conhecê-lo bastante, sempre me surpreende.


Um beijo e foca na leitura!