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24 de julho de 2018

Resenha de HQ: Maus - A História de um Sobrevivente, de Art Spiegelman

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Autor: Art Spiegelman
Editora: Quadrinhos na Cia. (Companhia das Letras)
296 Páginas 

Sinopse: Maus ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas - história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. 
Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos; poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto. 
Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável. 

"Maus é um livro que ninguém consegue largar. Quando os dois ratos falam de amor, você se emociona; quando eles sofrem, você chora." - Umberto Eco. 

"Um triunfo modesto, emocionante e simples - impossível descrevê-lo com precisão. Impossível realizá-lo em qualquer outro meio que não os quadrinhos." - Washington Post. 

"Uma história épica contada em minúsculos desenhos." - New York Times. 

"Uma obra de arte brutalmente tocante." - Boston Globe. Compre o livro aqui.
Maus - A História de um Sobrevivente conta a história de Vladek Spiegelman, sobrevivente judeu polonês do Holocausto, que passou pelos campos de concentração de Auschwitz (Polônia) e Dachau (Alemanha). O relato é feito pelo próprio pai e desenvolvido pelo filho, Art Spiegelman, em uma HQ de traços fortes e escuros, assim como foi esse período sombrio e horroroso da história do mundo. Na narrativa, judeus são retratados e desenhados como ratos (maus em alemão, daí o nome da HQ), alemães como gatos, poloneses não-judeus como porcos e americanos como cachorros. 

A história mescla entre momentos do passado e presente e começa com o filho de Vladek tentando convencer o pai a falar sobre tudo o que viveu. No início, descobrimos que a família da ex-esposa de Vladek (e mãe de Art) era rica, por isso, a fome e miséria demoraram um pouco a chegar para eles. Mas, aos poucos, todos percebem que judeus estavam sendo cada vez mais reprimidos e as condições pioram muito quando eles são obrigados a irem viver em guetos e depois são mandados para Auschwitz. 

Maus, de Art Spiegelman | Foto: Luiza Lamas
Particularmente, me interesso muito pela temática da 2ª Guerra Mundial e do Holocausto, então já tive contato com outras obras sobre o assunto, como O Menino do Pijama Listrado (resenha aqui), O Diário de Anne Frank (resenha aqui) e o que mais me impactou até o momento, O Menino da Lista de Schindler (resenha aqui), então, o tema em si não foi novidade para mim (e acredito que não seja para muita gente). O diferencial que reconheci em Maus foi a forma que o autor escolheu para contar a história. 

A alternância entre passado e presente permitiu que o leitor conhecesse um pouco mais sobre a personalidade de cada personagem e como eles lidavam com os conflitos sociais e familiares que surgiam. O mais extraordinário é que Art não excluiu suas angústias de escritor e de filho ao desenvolver a obra. Em um dado momento, ele comenta com a esposa que se acha incapaz de continuar a escrever Maus, porque nunca conseguirá entender como viver durante o Holocausto. 

Ao mesmo tempo, não deixa de fora a raiva e rancor que sente pelo pai (durante a HQ inteira dá para perceber que Art tinha relações muito melhores com a mãe) e isso fica explícito em uma cena em que Vladek quer devolver uma caixa de cereal aberta ao mercado, porque não quer jogar a comida fora (consequências trazidas pela guerra, em que viveu na miséria). 


Maus, de Art Spiegelman | Pág. 238
Outra parte interessante retratada por Art acontece no momento presente, depois da guerra, quando um rapaz negro questiona se pode receber uma carona e Vladek fica espantado e muito enraivecido porque o filho e a nora aceitaram o pedido, justamente porque o menino era negro e eles não deveriam se misturar. Quer dizer, mesmo Vladek tendo sofrido nas mãos dos alemães por ser judeu, ele não consegue enxergar a forma como está sendo racista e incoerente. 

Maus - A História de um Sobrevivente foi vencedora do prêmio Pulitzer (um dos mais conceituados no jornalismo e na literatura), no ano de 1992, na categoria "Prêmio Especial Pulitzer", inaugurada pela própria narrativa. Até hoje, nenhuma outra história em quadrinhos ganhou o prêmio. 

Há uma outra obra também escrita por Art Spiegelman chamada MetaMaus, em que o autor detalha a criação da narrativa de Maus e disponibiliza ilustrações, entrevistas, notas e esboços para complementar o que é retratado na HQ. O livro não foi traduzido para o português.

Um beijo e foca na leitura!

22 de julho de 2018

Um ponto de partida para a valorização da literatura nacional - 3º Encontro "Romanceando" (SP)

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Olá, pessoal, como vocês estão? 
Hoje eu queria contar para vocês sobre o mais recente evento literário que fui e também comentar sobre a importância de comparecer a esse tipo de iniciativa

O Romanceando aconteceu no Sofá Café, em Pinheiros, e foi organizado pelas autoras Carol Cappia (que escreveu Fragmentos*Reaprendendo a amar: uma nova chance para a vida*), Julia Fernandes (série Angels*) e R.M. Cordeiro (Por Ela & Para Ele*, Como chegamos até aqui?* e Tinderela: A Procura do Amor na Era Digital*). 

O assunto principal, obviamente, foram os romances. Comentamos sobre nossas histórias de amor preferidas, os melhores casais, demos e recebemos diversas indicações de livros legais (inclusive os das próprias autoras organizadoras) e discutimos o que não pode faltar em uma narrativa romântica. 

O andar de cima do café foi todo reservado para nós. Apesar de ser um espaço pequeno, foi interessante porque todo mundo ficou próximo um do outro e acho que isso criou uma espécie de aconchego e fez com que ficássemos mais a vontade (pelo menos eu estava). É diferente de quando vamos a um evento em que os escritores ficam no palco e nós somos espectadores, de longe. 

Não posso deixar de comentar sobre um fato que fiquei matutando desde ontem, quando saí de lá. Poucas pessoas compareceram. Acho que umas quinze, no máximo. Reparei que de blogueiros, tinha eu e mais uma menina, a Lari, do Lariteratura, que conheci naquele dia mesmo. 

Acho que precisamos nos atentar à ideia de que se a gente não comparece aos eventos sobre assuntos que gostamos, eles não acontecem mais, justamente porque não há procura. Sempre ouço a Tamirez, do Resenhando Sonhos, falando isso, mas nunca tinha me dado conta de verdade. Outro dia ela postou uma história no Instagram em que estava num evento de romances de época, gênero que praticamente não lê. Mas ela estava ali e ver aquilo deu um start em mim sobre minhas ações e queria alertar vocês também. 

Se nós, blogueiros, responsáveis por produzir conteúdo literário, não apoiamos autores nacionais em eventos e iniciativas do tipo, como vamos fazer para que as histórias deles cheguem aos leitores, que são quem realmente importa? Como vamos incentivar os leitores a continuarem apoiando a literatura nacional, se nós não conhecemos boa parte dela? 

Sugiro um exercício: pense em um tema que você goste de ler sobre. Agora pense em um livro estrangeiro sobre essa temática que você gostou muito. Depois, vá e procure por livros nacionais que falem sobre isso. Eu gosto muito de temas fortes, que me fazem pensar. A Pam Gonçalves escreveu Boa Noite, que fala sobre abuso sexual. Amanda Ághata Costa tem um livro que retrata a violência doméstica chamado Nunca Olhe Para Dentro. Bel Rodrigues vai lançar 13 Segundos, na Bienal do Livro de São Paulo, cujo assunto é pornografia de vingança. 

Acho ótimo que gostemos de autores como Jennifer Brown, John Green e diversos outros escritores estrangeiros, mas é importante saber que aqui no Brasil também existem outras Jennifers e Johns, basta olhar e dar visibilidade a eles. Então, depois dessa Bíblia, o meu conselho é: frequentem a maior quantidade de evento que vocês puderem. Compareçam a clubes de leitura, encontros de leitores, sessões de autógrafo, Bienais e etc. Vão lá e deem um abraço nos autores que vocês mais admiram. Apesar de isso não pagar o pão de cada dia, às vezes vale mais do que dinheiro. 

Queria muito saber a opinião de vocês sobre esse assunto, porque faz tempo que queria falar sobre isso, mas não achava a oportunidade, então me deixem um comentário aí embaixo ou me chamem nas redes sociais para conversarmos. Me digam também se vocês gostam sobre esse tipo de post, porque posso fazer mais, com outras temáticas. 

*ao clicar nestes links, você será redirecionado para a página do livro na Amazon. Ao comprar através deles, você ajuda a manter o blog, já que ganharemos uma pequena comissão de retorno. 

Um beijo e foca na leitura!

18 de julho de 2018

Parceria: Autora Amanda Ághata Costa

|| 2 comentários:
No início deste ano, o Choque Literário fechou parceria com mais uma autora nacional: a Amanda Ághata Costa, autora da fantasia A Escolhida* e do romance Nunca Olhe para Dentro. Aqui vai uma foto e pequena biografia da autora: 
Amanda Ághata Costa nasceu em 21 de Outubro de 1993, em São João Batista, cidade do interior de Santa Catarina. Formada em Pedagogia e amante das palavras desde a infância, jamais imaginou que um dia sua voz seria ouvida. Com papel e caneta em mãos, espera poder tocar as pessoas com suas histórias, fazendo-as vibrar e amar cada fragmento das mesmas. De todas as coisas do universo, aventurar-se nos mares da fantasia é sua maior paixão. A Escolhida* é seu romance de estreia. Já Nunca Olhe para Dentro foi lançado em 2017.                                                                                              . 
Até o momento, Nunca Olhe para Dentro (livro que será resenhado aqui no blog por conta de envio do e-book pela autora) só existe em versão digital, mas a novidade é que será lançado de forma física na Bienal do Livro de São Paulo deste ano, com nova capa, pela Qualis Editora. Confiram a capa do e-book, a sinopse do livro e a capa do livro físico, que foi revelada hoje: 
Capa Livro Digital (esq.) e Capa Livro Físico (dir.)
Sinopse: Nem sempre a vida é colorida como um quadro ou suave como uma pincelada, às vezes é o contrário de tudo isso. Depois de perder os pais em um acidente de carro aos oito anos, a única coisa que Betina precisa fazer é encontrar o responsável por ter destruído sua família na noite que daria início à sua próspera carreira como pintora. Agora, longe dos pincéis e das paletas, ela está focada em terminar a primeira graduação e procurar na justiça um pouco de consolo para o caos que o seu passado ainda traz. Ao lado de seus amigos e sob o teto de uma tia que a detesta, ela perceberá de que cores as pessoas são feitas, e do quanto é realmente necessário olhar para dentro de tudo aquilo que a assombra, mesmo que para isso precise passar por uma inesperada decepção. Compre o livro físico na pré-venda, com marcador e frete grátis, aqui.
Amanda confirmou presença em todos os dias na Bienal, mas o evento oficial de lançamento do livro físico de NOPD com sessão de autógrafos será no dia 04/08/2018, às 18h no estande da Qualis Editora (K080).

Agora, contem para mim nos comentários: estão ansiosos para a Bienal do Livro? Vão ver abraçar a Amanda lá? Das duas capas, qual vocês mais gostaram? Eu fico com a do livro físico, está com ar mais profissional e tem mais a ver com a história. E mais: já leram A Escolhida ou NOPD? Vamos conversar! 

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Um beijo e foca na leitura!

14 de julho de 2018

Resenha: Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

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Autor: Ray Bradbury
Editora: Editora Globo
216 Páginas

Sinopse: A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.
Fahrenheit 451 é um clássico da ficção científica escrito em 1953 e descreve o cotidiano de uma sociedade que proíbe o acúmulo e manuseio de livros em casa ou bibliotecas, porque eles trazem angústia e medo, ao invés de serem instrumento de diversão e entretenimento. Nesta organização social, os bombeiros não são mais responsáveis por apagar incêndios, mas provocá-los, queimando coleções de obras de pessoas comuns que são denunciadas ao governo. 

Um destes bombeiros é Guy Montag, marido de Mildred, uma mulher que vive tomando muitos remédios e adora assistir à programas de lazer em três telões instalados na casa deles. O homem gosta muito de queimar livros e os acha inúteis, até o dia em que conhece Clarisse McClellan, sua vizinha de dezesseis anos que frequenta o psiquiatra por adorar conversar e fazer perguntas consideradas inoportunas, como questionar se Montag é feliz ou se ele está apaixonado. 
"Dizem que sou antissocial. Não me misturo. É tão estranho. Na verdade, eu sou muito social. Tudo depende do que você entende por social, não é? Social para mim significa conversar com você sobre coisas como esta. - Ela chocalhou algumas castanhas que haviam caído da árvore do jardim da frente. - Ou falar sobre quanto o mundo é estranho. É agradável estar com as pessoas. Mas não vejo o que há de social em juntar um grupo de pessoas e depois não deixá-las falar, você não acha? Uma hora de aula pela tevê, uma hora jogando basquete ou beisebol ou correndo, outra hora transcrevendo história ou pintando quadros e mais esportes, mas, sabe nunca fazemos perguntas: pelo menos a maioria não faz; eles apenas passam as respostas para você, pim, pim, pim, e nós, sentados ali, assistindo a mais quatro horas de filmes educativos. Isso para mim não é nada social." - Págs. 51/52 
A partir daquele dia, Montag passa a se encontrar regularmente com Clarisse e acompanhá-la de volta para casa. Aos poucos, a menina conquista o bombeiro com seu jeito de ser e pensar e, por causa disso, ele começa a questionar o trabalho que realiza como bombeiro e também o papel que exerce na sociedade. 

As dúvidas de Montag se intensificam quando ele comparece à casa de uma senhora para queimar os livros dela e a idosa prefere morrer junto às obras do que se salvar. Naquele momento, antes de deixar o local, o bombeiro esconde no casaco uns dos livros ao invés de incendiá-lo e, a partir dali, começa a pensar e planejar maneiras de driblar o governo totalitário em que vive. 


Fahrenheit 451, Ray Bradbury | Foto: Luiza Lamas
Uma das características que considerei mais interessante na narrativa de Fahrenheit 451 é que a ambientação dela se passa num planeta comum, numa cidade comum e que a história não precisou de grandes aparatos tecnológicos ou mudanças drásticas e mirabolantes para que fosse futurística. A graça da narrativa é perceber que o que mudou foi o comportamento das pessoas, cada vez mais inseridas na dinâmica da sociedade de massa, da indústria cultural e do consumo, uma forma de totalitarismo sutil. 

"Lembre-se, os bombeiros raramente são necessários. O próprio público deixou de ler por decisão própria. Vocês, bombeiros, de vez em quando garantem um circo em volta do qual multidões se juntam para ver a bela chama de prédios incendiados, mas, na verdade, é um espetáculo secundário, e dificilmente necessário para manter a ordem. São muito poucos os que ainda querem ser rebeldes." - Pág. 114/115. 

Há, inclusive, uma passagem no livro que nos mostra que a ambientação da história se passa mais ou menos no nosso presente, pois um personagem comenta: "Desde 1990, já fizemos e vencemos duas guerras atômicas!". Achei assustador perceber como algumas das ações dos personagens se parecem tanto com o que vivemos hoje. Por exemplo, estar sempre conectado. Atualmente, fazemos uso de computadores, celulares e diversos outros dispositivos móveis. Em Fahrenheit 451, quem têm esse papel são a televisão, que fica ligada praticamente 24h (é a que comentei que a esposa de Montag adora assistir) e escutas nos ouvidos, que recriam realidades melhoradas e mais felizes. 
"Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com 'fatos' que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente 'brilhantes' quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento sem sair do lugar. E ficarão felizes, porque fatos dessa ordem não mudam. Não as coloque em terreno movediço, como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. Aí reside a melancolia." - Pág. 86/87. 
Me distanciando um pouco da estrutura, a personagem que mais me cativou foi Clarisse. Acho que o autor a construiu de uma forma muito simples, mas ela influencia os pensamentos e decisões de Guy Montag até o fim. Assim como a menina deixou uma marca no bombeiro, ela também deixa em nós, leitores. Às, vezes, eu queria pegá-la e guardá-la num potinho por ser tão inteligente. 

Também posso acrescentar que a narrativa não é arrastada. O autor nos apresenta o conflito e já se preocupa em resolvê-lo, o que foi um ponto muito positivo para mim (quero dizer que Montag não perde tempo sofrendo por causa da realidade em que vive, mas assim que a descobre, já passa a buscar soluções para transformá-la ou, no mínimo, deixar uma marca). 

Por fim, queria deixar registrado que há uma adaptação da obra para o cinema filmada em 1966 por François Truffaut. Vejam o trailer legendado abaixo:


E também outra adaptação, lançada pela HBO em maio deste ano, estrelada por Michael B. Jordan. Vejam o trailer legendado: 


Eu ainda não assisti nenhuma das duas versões, vocês já? 

Um beijo e foca na leitura!

9 de julho de 2018

Resenha: A Princesa da Lapa, de Danilo Barbosa

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Autor: Danilo Barbosa 
Editora: Universo dos Livros 
304 Páginas 

Sinopse: "Há tempos, entre os postes brilhantes e solitários da Lapa, houve um castelo feito de amores e ilusões perdidas. Nele, entre cortinas e brocados, existiu uma bela mulher, prisioneira de sentimentos perdidos e marcada pelo desejo dos homens. Uma mulher inesquecível, que foi chamada e ovacionada como A Princesa da Lapa."
Jonas é um jovem escritor capaz de escrever as mais belas histórias de amor, mas não de vivenciá-las. Por ter sido abandonado por aquela que considerava a mulher da sua vida, ele não acredita mais em finais felizes. Até que, em uma noite, uma misteriosa senhora o encontra, disposta a lhe contar a sua história... 
A partir do momento em que a fantástica personagem começa a se revelar ao cético criador de histórias, um novo conto de fadas se revela aos olhos dos leitores, mostrando um mundo de paixões vorazes, sensualidade, poderes supremos e a eterna luta do bem contra o mal. Sejam bem-vindos à incrível e instigante história daquela que ficou conhecida para sempre como A Princesa da Lapa. Compre o livro aqui.
Em A Princesa da Lapa, Jonas é um escritor de romances que acabou de levar um fora da namorada. Ele tenta correr atrás dela para entender o motivo de de repente a moça ter desistido dele, mas ela não está nem aí. Ao mesmo tempo, o rapaz está sendo pressionado por seu editor, que deseja que Jonas escreva um novo livro logo. 

Cansado e decidido a esfriar a cabeça, o jovem sai a noite em busca de inspirações, mas está com os pensamentos tão perdidos que se distrai e é atropelado. A dona do carro é Larissa, uma senhora que reconhece o escritor e o leva para casa, porque precisa que alguém conte a história dela. Dada a proposta, Jonas hesita, mas no final, aceita ouvi-la. 

No passado, Larissa era conhecida como R e foi deixada ainda bebê na porta de um bordel do Rio de Janeiro, conhecido como Casa dos Prazeres. No local, era muito bem tratada por Mama Mercedes (que R considerava como mãe) e por todas as prostitutas que faziam dali um local de trabalho. O cabelo loiro, bonito e enorme de R encantava a todas e fazia com que a menina fosse uma inspiração a ser seguida.

Porém, um pouco antes de ter a primeira menstruação, R sofreu um trauma dentro do bordel (que se eu contar aqui será um spoiler) e, com isso, percebeu que todo o carinho que recebia era mentira e apenas um disfarce para tudo o que estava por vir. A partir daquele momento a menina também passou a desacreditar no amor. 

Assim, quando finalmente menstruou, ela mesma se apresentou a Mama Mercedes para saber como seria o trabalho a partir daquele momento. Ali, o cabelo da garota se transformou em vermelho vivo, um ruivo brilhante que encantava a todos os homens e fazia com que a garota fosse extremamente desejada. Ficou decidido então que R seria a garota mais cara da Casa dos Prazeres e teria apenas um cliente por noite. 

Um deles, que R foi conhecer tempos depois de se tornar prostituta, era Lucas, filho de um poderoso Marechal e dono de muito dinheiro. No início, R achou que o garoto seria um simples cliente que logo iria embora, mas o menino era cego e, por isso, não era atingido pelos poderes dos cabelos da mulher. Sendo assim, Lucas passou a ser como um desafio para R e, nessa brincadeira, os dois acabaram se apaixonando, o que se tornou um grande problema para a prostituta, que não deveria se apaixonar. 
"- O maior segredo da Princesa da Lapa, que só as habitantes da Casa dos Prazeres sabem, é que a fonte de tanta paixão e mistério vem dos meus cabelos - eu falei." - Pág. 154.  
A Princesa da Lapa, Danilo Barbosa | Foto: Luiza Lamas
Este foi o meu primeiro contato com Danilo Barbosa, que também escreveu Arma de Vingança pela Universo dos Livros e diversas histórias eróticas. É inegável que o autor tem ótimas referências e muito conhecimento, que faz questão de colocar nas páginas do livro, seja na forma de indicação ou como contexto de uma época ou situação. 

Também gostei bastante de alguns personagens construídos por ele, como o próprio Lucas (que no começo parece ser bem bobo, mas depois se prova ser muito mais inteligente que R) e Kyo, também prostituta e aquela que se torna amiga e protetora de R (Kyo é doce, amigável, sincera e é quem ajuda a menina a se encontrar com Lucas e a mantém longe das garras de Mama Mercedes e o cafetão Brucutu, que bate nas meninas). 

Por outro lado, eu preciso fazer algumas observações sobre a própria R e sobre Jonas, que é quem desencadeia a história principal de A Princesa da Lapa. O drama que ele fez quando percebeu que a namorada não o queria mais foi enoooorme e o primeiro pensamento que ele teve depois de ter levado o fora foi "agora eu preciso sair para pegar várias garotas e provar que sou macho alfa". Na minha cabeça, como leitora, meus pensamentos eram "que cara escroto, quando isso vai passar?".  Já sobre R, a questão é a mesma: o exagero quanto ao fato de que, na opinião dela, o amor não dá certo e é um erro. São parágrafos e parágrafos com argumentos desse tipo e, algumas vezes, fiquei cansada por estar lendo aquilo. 

Acho importante observar que isso que citei no parágrafo acima são características das personagens que não condisseram com o que eu prefiro ou gosto de ler num livro, e não algum problema específico com o autor. 

Isso será abordado aqui, porque, ao longo da leitura, percebi que existem algumas questões chaves na história que Danilo não nos explicou (acho que se eu falasse seria spoiler), o que fez com que o livro tivesse alguns buracos. Quando isso acontece, tenho a impressão de que o autor teve uma boa ideia, mas não capacidade, contexto, pesquisa ou sensibilidade o suficiente para nos explicar porque quis expor aquilo no livro, o que é uma pena e me deixa um pouco incomodada. 

Fora isso, recomendo o livro para quem quer curtir uma história um tanto quanto fora do comum e gosta de passagens calientes que envolvem a trama principal. 


Um beijo e foca na leitura!